.

.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

NA ESTRADA COM UM ANTIGO...

COMO ENFRENTAR A ESTRADA

O proprietário de carro antigo não deve apenas se preocupar com a aparência de seu carro, lavando, limpando ou encerando aos finais de semana. Como já vimos em várias matérias, a manutenção periódica é fundamental, principalmente quando se trata de pegar uma estrada para um passeio mais longo. Fazer um planejamento antes de cada viagem nunca é demais e pode significar tranqüilidade e segurança para o motorista e seus acompanhantes. Trata-se uma medida simples, tomada por muitos motoristas e devido a sua importância decidimos divulgá-la:
CHECAGEM DO VEÍCULO
- Sistemas de freio, elétrico e de ar, quando for o caso, nível do óleo de motor e câmbio, alinhamento e balanceamento, pressão dos pneus e seu estado, verificar regulagem do motor, abastecer e verificar se os documentos pessoais do carro estão em ordem, para evitar problemas com a polícia rodoviária e a fiscalização das rodovias. Verificar arrumação de bagagem.

VIAGEM
- Procurar saber qual é o melhor caminho para chegar ao seu destino.
- Planejar paradas para abastecer, comer e dormir também ajudam a tranqüilizar a viagem.
- Saber se a cidade para onde vai acontecem muitos roubos de carros.
- Quando chegar à cidade, procurar saber qual o melhor caminho para se chegar ao local do evento.

ESTADO DO CORPO
- Dormir pelo menos seis horas antes de viajar.
- Não ingerir bebidas alcoólicas.
- Estar bem alimentado.
- Estar sem problema de saúde.
- É importante ter em mãos telefones de  emergência e da família.

DURANTE A VIAGEM
- Evitar paradas desnecessárias.
- Não dar carona a estranhos.
- Parar somente nos pontos programados.
- Manter sempre atenção na rodovia.
- Dirigir com segurança e responsabilidade.
- Quando estiver viajando em comboio evitar brincadeiras.
- Obedecer as leis de trânsito e sinalização.

DURANTE AS PARADAS
- Nunca deixar documentos, objetos ou valores expostos dentro do veículo.
- Nunca falar com estranhos sobre paradas e destino.

EM CASO DE ASSALTO
- Nunca discutir com os ladrões.
- Não encarar os ladrões.
- Ficar atento e observar o tratamento entre os ladrões.
- Se for amarrado, não se desesperar.
- Quando estiver livre telefonar imediatamente para a polícia.

 ENTENDENDO A LINGUAGEM DA ESTRADA

Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no “querer ajudar”, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada que o das ruas. Talvez isso não seja tão claro porque, em feriados prolongados,  há um número muito grande de carros acostumados à cultura da disputa pelo espaço, da competição pelo tempo, do estresse da cidade nas rodovias rumo aos destinos turísticos. Mas quem é estradeiro sabe a importância dos sinais.

Essa linguagem, que é mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, surgiu de forma espontânea. Não é ensinada nas auto-escolas (até pode ser, mas dificilmente é cobrada em provas, exames etc). Por isso, é possível classificá-la como folclórica e patrimônio imaterial.

Talvez a política de desenvolvimento acelerado de JK tenha incorporado de vez as montadoras de automóveis, o que praticamente definiria como sendo rodoviário o nosso principal sistema de transportes. Logo, muitas estradas de rodagem foram criadas, mas nem sempre houve manutenção e inovação. Tanto que muitas rodovias ainda hoje são de pista simples, e nelas, quando há um erro ou problema, a probabilidade de colisão frontal é enorme. E sair vivo deste tipo de acidente é praticamente um milagre: a velocidade relativa entre os veículos é de aproximadamente 200 km/h e é pior ainda quando caminhões e ônibus estão no meio, afinal pesam algumas boas toneladas.

Olhando com mais cuidado, são sinais simples e até mesmo intuitivos, já que tem por base o código de trânsito. Há duas possibilidades de comunicação: quando os veículos que se comunicam estão no mesmo sentido e quando estão no sentido contrário.

a.    Mesmo sentido
A comunicação precisa ser feita entre veículos que trafegam no mesmo sentido, pois a potência do motor, a carga transportada e o comprimento de cada carro é diferente, logo se faz muito necessário. Por isso, o caminhoneiro que vai à frente tem visão e sinaliza para o que está atrás, fazendo com que seja facilitada a ultrapassagem.

Pisca para a direita
Sinaliza que o caminho está livre e é um bom momento para a ultrapassagem. Deve-se ter atenção neste ponto, pois o erro do motorista que sinaliza significa morte para o de trás.

Pisca para a esquerda
Quando é o veículo da frente que sinaliza, significa que o veiculo de trás não deve ultrapassar por algum motivo (sempre relacionado à segurança).
E quando quem está atrás que dá este sinal, significa que o motorista deseja fazer a ultrapassagem. Dependendo do contexto da situação, pode significar um pedido de auxílio, para que o veículo da frente sinalize em que momento é melhor a ultrapassagem.

Duas buzinadas curtas
Significa um agradecimento ou um “boa viagem!”. Geralmente, é dado no momento no qual se cruza o veículo. E, na maioria das vezes, há retribuição.

Pisca alerta ligado e desligado rapidamente
Pode significar o item anterior, que não talvez não tenha sido feito (ou às vezes para reforçar as duas buzinadas curtas). A retribuição do “obrigado” ou de “boa viagem” também pode ser dada através de duas piscadas com o farol alto.

Pisca alerta ligado
Significa algum perigo. É um pedido de atenção redobrada, pois pode ser que por algum motivo o carro da frente irá parar ou mesmo o fluxo todo irá parar.

Também pode significar chamar a atenção do carro de trás para alguma coisa que esteja acontecendo no próprio veículo e o motorista ainda não se deu conta.

Farol alto por um período médio
O veículo de trás chama a atenção do veículo da frente por algum motivo. A duração deste período funciona da mesma maneira que a intensidade da voz de uma pessoa quando se quer chamar a atenção (ex: falando, gritando, esperniando etc). Aqui também pode significar uma bronca por estar na faixa da esquerda quando poderia estar na da direita, pois ali é o local apropriado para ultrapassagens.

Apagar e acender as todas as luzes de uma vez
Significa que há fiscalização à frente. Não é muito recomendável, pois da mesma maneira que o carro de trás percebe, o policial à frente também perceberá e poderá “implicar” com o motorista da frente.

b.    Sentido oposto
Esta é a comunicação espontânea mesmo. É a que chama muito a atenção, pois tem um curto período de tempo para acontecer e, por isso, depende sempre da atenção do outro motorista. Tudo não dura mais do que 3 segundos.

Geralmente ela começa com o pisca para a esquerda, pois é como se um motorista estivesse dizendo ao que vai cruzar: “Pode vir tranqüilo que eu estou falando para quem está atrás de mim, não ultrapassar. Tenha uma boa viagem!”. Duas piscads no farol alto, evidenciam que o motorista dirá mais alguma coisa. E estes sinais são sempre gestuais:

A uma palma de mão esticada
Significa literalmente “boa viagem!”. É como se o motorista dissesse que não há problemas no caminho do outro. “Vai tranqüilo!”.

Um braço movimentando como um pêndulo com a mão esticada
Barreira. Acidente. Carreta virada na pista. Desmoronamento. Há alguma coisa que está fechando a pista parcial ou totalmente. Dependendo da gravidade, os faróis de luz são dados muito mais vezes.

Quatro dedos virados para baixo
Animais na pista. Cuidado!

Dois dedos virados para baixo
Pessoas na pista. Cuidado!

Movimento da mão fechando começando pelo dedo mindinho até o polegar. A mão deve estar de lado, com o polegar para baixo. (famoso sinal de roubo)
Ladrão. Há ladrões na região, o motorista deve tomar cuidado.

Duas mãos paralelas fazendo movimentos alternados verticais
Balança. Há fiscalização de peso à frente.

Fricção dos dedos polegar, indicador e médio (Sinal de dinheiro)
Há policiais. Cuidado. Isto pode representar que realmente há corrupção ou não.

Fazer sinal com a mão como se apontasse uma arma
Há radar móvel na pista. O sinal é desta maneira, pois a forma do radar é a de um secador de cabelo, ou de uma pistola. O fiscal (muitas vezes policial) segura e aponta para a pista para saber qual a velocidade do veículo que está passando naquele instante.

Segurar a gola como se arrumasse uma gravata
Blitz grande. A gravate significa que o chefe dos policiais está participando da ação, ou seja, a tolerância é muito baixa (pente-fino).

Todos os dedos juntos e o movimento quebrado do pulso no sentido vertical (“afogar o ganso”)
Significa que há prostitutas na área. Pode ser também que haja “caronistas”, mulheres que trocam favores sexuais por carona. E isso atualmente representa um grande risco de assaltos.

Neste cenário perigoso, no qual motoristas passam muitas horas por dia dirigindo, cruzando infinitas vezes com outros veículos, rodando mais de mil quilômetros por dia, a criação desta linguagem própria foi fundamental para a sobrevivência nessas rodovias que não permitem erros.

Hoje em dia os rádios “TKS” são mais comuns e também ajudam bastante a vida na estrada, mas provavelmente não decretarão o fim da comunicação visual. O elemento credibilidade é muito baixo nestes aparelhos, pois não se sabe quem stá falando no rádio. E é praticamente nula a possibilidade de que um caminhoneiro passe uma informação errada de propósito ao cruzar com outro automóvel.  Por isso, é bem difícil ela morrer.

Nenhum comentário: